quarta-feira, 6 de maio de 2026

 Pega ladrão!... Pega ladrão!....

Na década de 60, ao ouvir o alarme as pessoas interrompiam o andar  na rua indignadas: Olhavam no sentido donde vinha o grito e a rua inteira corria atrás do fugitivo (aquele lá adiante, correndo na frente de todo mundo. Aquele deveria ser o ladrão). Depois de uma breve corrida, o homem suado, esbaforido, ofegante, acabava sendo preso, ou espancado ali mesmo, para aprender a não ser ladrão.

Quando a polícia aparecia (sempre aparecia depois), o delegado mandava “recolher aos costumes”. Não havia na época nenhuma representação dos "Direitos dos Manos", e talvez por isso, nunca

mais se ouvia falar do preso. A população respirava aliviada e tranquila porque aquele ladrão estava fora de cena, e como ele representava a classe dos ladrões, relaxava-se. O governo cuidava da população honesta...

Cheguei ainda com vida até a década de 90, fugindo de ladrões, e de muitas coisas. Os ladrões tinham progredido muito. Agiam em bandos, grupos, sindicatos, organizações. Se os ladrões haviam mudado, as leis também, adaptando-se à modernidade.

A polícia estava agora modernizada. Ladrões já não eram apanhados. Não havia prisões suficientes, os crimes eram "irrelevantes", e alguns policiais mais "compreensivos" até faziam parte dos bandos, agindo como espiões dentro das próprias forças chamadas de segurança.
O movimento dos ladrões estava mais forte e a Universidade deles tinha progredido muito em termos sociais: a ladroagem agora tinha advogados, defensores públicos e se estendido aos mais altos escalões do governo.

A população continuava reclamando de roubos e assaltos, mas evidentemente, que o governo não podia dar ouvidos a tão poucas pessoas que eram roubadas: Elas não representam nem 50% dos votos que elegem os senhores que habitam o palácio donde eles se governam. 

Além do mais, não há lugar para todos, nem no Palácio, nem nas prisões. (Aquilo a que a população angustiada chama de roubo, é até mal visto pelos senhores que habitam o Palácio...) 

Quando cheguei aos tropeços até esta década, mas já em outro século, ninguém corre atrás de ladrões. São os ladrões que correm atrás de nós. Hoje fugimos dos impostos altos, dos juros exorbitantes, da polícia federal, dos juízes, dos políticos, das instituições. Um dia ainda eu apanho e vou preso. Vários partidos políticos conseguiram partilhar o poder e  transformaram-se no bando de ladrões mais perigoso da historia do Brasil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.