sexta-feira, 24 de abril de 2026

 Acredito que seja eu um dos últimos remanescentes do antigo Centro

No dia 27 de maio de 2025 deu-se a comemoração dos setenta e quatro anos da inauguração do Centro Espírita Humildade na atual Rua Braz Torraga. Houve descerramento de placas com as efígies dos fundadores.

Em 1965, quando comecei a frequentar o Centro, eu tinha lá meus 17 anos (hoje estou com 78…), e o que me trouxe foi uma série de eventos:
Na época, eram poucos os aparelhos de televisão na cidade; então íamos assistir aos programas em algumas casas, disponibilizadas gentilmente por seus moradores.
Um desses locais era a residência do sr. Pedro Candelária. Na sua sala de estar havia uma mesa com livros propositalmente arrumados. Um desses livros era o “O Livro dos Espíritos”, edição de 1943, que eu despretensiosamente passava os olhos, enquanto a gurizada assistia aos seriados da época.

A leitura tornou-se um hábito e um dia soube das reuniões do Centro; fui ver como era… daí tornar-me um ativo participante foi natural.
As sessões começavam com a palestra do sr. Samuel Félix sobre um tema do Livro dos Espíritos, ou da Gênese, ou do Céu e Inferno. Sua fala era de tal forma contundente que dava a impressão de que a assistência ficava hipnotizada.  

Nessa época, faziam parte da diretoria do C.E.H, que eu me lembro, os senhores Pedro candelária, Samuel Félix, Pedro Bento, Prado da Coletoria e Rui Costa.
Posteriormente, vieram Raul Wuo, Juvenal Bexiga, Sebastião Nepomuceno Jr., Zezé do Bisca, Sebastião Alves, Lucas Candelária e eu, claro…

As sessões eram às segundas-feira e depois estenderam-se para as quartas e sextas. Cabe mencionar alguns frequentadores pontuais.Um desses era o sr. Anibal de Brito. Todas as segundas, ele era dos primeiros a chegar, acomodando-se na assistência, humilde e silencioso.
Não posso esquecer de falar também do sr. Matias Ortega com sua esposa, filhas e filhos, da Sra Encarnação Carrião, do Sr.  Raul Gomes, da Sra Laura Miranda…

As coisas mudaram muito: o C.E.H virou um clube “bom bril”, espaço ocupado por alguns eventos e palestras em cujos temas prevalecem a resignação e o “dar a outra face”. Tem até um orfeão composto por gentis sexagenários, de cujo hinário constam cânticos clericais e gospel. Um mistifório de dar coceiras!...
E eu? Bem, no popular, tô fora! Resumindo a ópera, é evidente que não vejo razão para jogar confetes e assoprar velinhas.

Nelson dos Santos
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O Espiritismo surgiu na França como um experimento coordenado por Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec), Tinha por fim o estudo experimental científico, quando o concurso de inúmeros médiuns deram conteúdo à formatação do “O Livro dos Espíritos”, obra angular da nova teoria.

Allan Kardec pertenceu a uma estirpe francesa que estudava o magnetismo e o sonambulismo (daí os passes magnéticos). Nesse grupo de estudos começaram a chegar, dos Estados Unidos e da Inglaterra, notícias inexplicáveis das mesas girantes ou falantes, das  irmãs Fox – que passaram a ser chamadas de médiuns -  e das experiências de Willian Crookes.
Kardec passou a frequentar casas particulares onde se manifestavam   fenômenos ditos mediúnicos, e suas experimentações e conclusões ele enfeixou em cinco livros que deram origem ao que se chamou vulgarmente de doutrina espírita.

Após a açodada edição do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo” e de inúmeros livros romanceados referentes à reencarnação, a maioria da lavra de Chico Xavier e avalizados pela Federação Espírita Brasileira (FEB), o Espiritismo, de ensaio científico, reacionário, deu primazia ao sincretismo religioso, militante, e tornou-se assistencialista, reduto de poder; contrapôs o dístico católico “Fora da Igreja não há salvação” para o refrão “Fora da Caridade não há salvação”, resignando-se o homo sapiens ao viés doutrinário se quiser sair ileso do Inferno ou do Umbral.

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Pesquisa IBGE:
De 2010 a 2022, de acordo com os dados do Censo Demográfico, a religião espírita (1,8%) apresentou queda de 0,3 p.p. na comparação com 2010 (2,2%). Umbanda e candomblé, por outro lado, saíram de 0,3% em 2010 para 1,0% em 2022, um aumento de 0,7 p.p..
Houve redução do percentual de católicos (56,7%) e aumento de evangélicos (26,9%) e sem religião (9,3%).
Em 2010, os católicos eram 65,1% da população de 10 anos ou mais, os evangélicos, 21,6%, enquanto os sem religião correspondiam a 7,9% dos declarantes (aumento de 1,3%).

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